Por Tio do Coturno
Aaah Mulheke!!!
Essa semana eu vi uma cena que, num mundo normal, seria só um momento foda: um pai, no meio de um show de rock, com a filha de pé sobre seu corpo que está sendo carregado pela multidão. A moleca com um sorriso de orelha a orelha, vivendo uma parada que ela vai contar pros netos. O pai, feliz pra c*ralho, dividindo uma paixão com a cria. Lindo, né? ERRADO! Pelo menos pro tribunal do sofá.
Algum cara postou o video e a internet pegou fogo. Um exército de especialistas em criação de filhos, que provavelmente nunca viram a luz do sol, desceu o cacXte no pai. “Ambiente impróprio!”, “Isso não é lugar de criança!”, “Que irresponsável!”. Calma aí, meu chapa. Qual o perigo ali? Um solo de guitarra alto demais? Um cara de cabelo comprido? Eu já vi mais briga em fila de banco do que em show de rock. A galera do rock, na sua maioria, é a gente mais tranquila que tem. A gente só quer ouvir nosso som em paz. É mais fácil seu filho aprender a ser um babaca num baile funk “família” do que num show do Iron Maiden.
Aaah Mulheke!! Mas o mais nojento nessa história toda não é nem o debate. É de onde vêm as pedras. É do juiz de pijama, com o cX quadrado de tanto ficar sentado na cadeira gamer, digitando com os dedos engordurados de salgadinho. O cara passa o dia inteiro com a cara enfiada na tela, enquanto o moleque do lado implora por cinco minutos de atenção. “Pai, olha meu desenho!”, e a resposta é um “uhum” sem nem tirar o olho do celular.
Esse mesmo cara que não tem cinco minutos pro filho de verdade é o que passa cinco horas online julgando a criação dos outros. Julgando o pai que saiu pra curtir. Julgando a mãe que deixou o filho com a avó pra ir no cinema. E, agora, julgando o pai que teve a AUDÁCIA de levar a filha JUNTO com ele pra criar uma memória de verdade.
A filha daquele pai vai ter a história de quando viu uma banda ao vivo no ombro do herói dela. O filho do juiz virtual vai ter a memória de ver o avatar do pai no Roblox, isso se ele não tiver sido bloqueado por excesso de mensagens. E aí eu te pergunto: quem é o pai de verdade nessa pXrra toda?
Aaah Mulheke

