O WSL Finals 2025 chegou ao fim em Cloudbreak, Fiji, com uma conclusão histórica que coroou dois novos campeões mundiais de surfe. Na tarde de 1º de setembro (2 de setembro pela manhã no horário local de Fiji), o brasileiro Yago Dora e a australiana Molly Picklum subiram ao topo do pódio mundial, conquistando seus primeiros títulos da World Surf League.
Yago Dora: A Tempestade Brasileira Continua
O paranaense de 29 anos fez valer sua posição de número 1 do ranking, derrotando o americano Griffin Colapinto por 15.66 a 12.33 na bateria decisiva masculina. Como líder da temporada regular, Dora precisava apenas de uma vitória para garantir o título, enquanto seu adversário teria que vencer duas baterias consecutivas.
A final masculina durou 35 minutos e foi marcada pela consistência do brasileiro. Dora começou forte, executando duas manobras poderosas logo aos cinco minutos de bateria, conseguindo uma nota de 7.33. Sua melhor onda veio mais tarde, com uma sequência de manobras agressivas que rendeu 8.33 pontos, selando sua vitória.
Griffin Colapinto, que havia eliminado Ítalo Ferreira na segunda rodada, não conseguiu repetir as performances anteriores e terminou com 12.33 pontos. O americano precisaria de uma nota superior a 9.00 para virar o confronto, algo que não aconteceu durante todo o evento.
Molly Picklum: Determinação Australiana
No feminino, a disputa foi ainda mais dramática. Molly Picklum, também número 1 do ranking feminino, enfrentou a americana Caroline Marks em uma final melhor de três baterias.
Caroline Marks começou melhor, vencendo a primeira bateria por 12.50 a 10.50. No entanto, Picklum mostrou sua força mental, reagindo com duas vitórias consecutivas: 15.83 a 8.03 na segunda bateria e 16.93 a 6.24 na decisiva.
A australiana de 22 anos da Costa Central de New South Wales mostrou versatilidade impressionante, alternando entre manobras poderosas e tubos perfeitos em Cloudbreak. Sua performance na terceira bateria foi especialmente dominante, com notas de 8.83 e 8.10.
O Cenário Perfeito em Cloudbreak
O WSL Finals 2025 marcou a primeira vez que a decisão do título mundial foi realizada em Fiji. Cloudbreak proporcionou condições ideais para o evento, com ondas de 4 a 6 pés (1,2 a 1,8 metros) que cresceram durante o dia, chegando a mais de 2 metros nas finais.
A famosa onda esquerdófila de Cloudbreak, conhecida por sua potência e exigência técnica, ofereceu o cenário perfeito para coroar os novos campeões. As condições desafiadoras da onda fizeram jus ao status de uma das esquerdas mais poderosas do mundo.
Domínio Brasileiro Continua
Com a vitória de Yago Dora, o Brasil alcança seu oitavo título mundial nos últimos 11 anos, mantendo a hegemonia da “Brazilian Storm”. Dora se junta a uma lista ilustre de campeões brasileiros que inclui:
- Gabriel Medina (3 títulos: 2014, 2018, 2021)
- Filipe Toledo (2 títulos: 2022, 2023)
- Ítalo Ferreira (1 título: 2019)
- Adriano de Souza (1 título: 2015)
Desde 2014, apenas em 2016, 2017 e 2020 (quando John John Florence foi campeão) o título masculino escapou das mãos brasileiras.
Outras Participações Brasileiras
Ítalo Ferreira, quinto colocado no ranking, chegou ao Finals precisando superar quatro adversários para o título. Ele começou bem, vencendo o australiano Jack Robinson por 14.33 a 5.83 na primeira rodada. Porém, foi eliminado por Griffin Colapinto na segunda rodada por 16.33 a 13.67, terminando o evento na quarta posição.
Nova Era no Surfe Feminino
A conquista de Molly Picklum representa uma mudança geracional no surfe feminino mundial. Aos 22 anos, ela quebra a sequência de domínio das veteranas Stephanie Gilmore e Carissa Moore, seguindo os passos de Caroline Marks (2023) e Caitlin Simmers (2024) como representantes da nova geração.
O WSL Finals 2025 em Fiji encerrou uma temporada memorável, coroando dois surfistas em seu primeiro título mundial e consolidando Cloudbreak como um dos palcos mais espetaculares do surfe profissional. A tempestade brasileira segue forte, enquanto o surfe feminino australiano volta ao topo com uma nova estrela brilhando no cenário mundial.

