Por Riffa
Tem evento que parece campeonato.
E tem evento que parece uma oração feita com o barulho das rodinhas.
A Rampa do Gui, lá em Campo Largo, foi exatamente isso.
O quintal da vó do Gui Khury virou templo — e quem tava lá viu o skate ser mais do que esporte: foi um grito de liberdade com cheiro de madeira queimada e vento no rosto.
Luigi Cini voou e levou o título com 97 pontos — mas o Gui, mesmo ficando com 95, provou que quando o dono da casa sobe na rampa, a energia muda. A cada volta, o público parecia respirar junto. O som das rodinhas cortando o ar dava aquele arrepio que só o vertical sabe provocar.
E, no meio desse show, as minas marcaram presença — Raicca Ventura e Dora Varella — abrindo caminho e lembrando que o feminino não tá “chegando”, já chegou. Só falta espaço igual.
A vibe era de respeito, sorrisos e aquele tipo de emoção que nenhuma transmissão ao vivo capta. Ali, entre quedas e voos, o skate mostrou que continua sendo sobre alma, não sobre troféu.
Mas o rolê não para.
Agora, a atenção tá voltada pro STU National, que chega em Brasília nos dias 25 e 26 de outubro, prometendo elevar o nível — principalmente com o feminino vindo pesado.
E se a Rampa do Gui foi o coração batendo, o STU será o grito ecoando pelo país inteiro.
As minas tão vindo com força, com linha, com propósito. O público vai ver estilo, consistência e atitude que vai além das notas.
O futuro do skate brasileiro tem rosto de mulher — e é lindo ver a galera torcendo por isso, sem paternalismo, sem “olha que bonitinha”.
A cena feminina hoje é pura técnica, garra e arte — e quem ainda não entendeu isso vai ficar pra trás no replay.
A verdade é que essa semana tá sendo um presente pra quem respira skate:
de Campo Largo a Brasília, o que a gente tá vendo é a alma do rolê se espalhando, viva, pulsante, sem pedir licença.
E eu, Riffa, sigo com o mesmo mantra:
Skate é expressão. E quando ele fala, é pra quem sabe ouvir.
Até o próximo pico.

